segunda-feira, agosto 27, 2007

A mão que nos opera.

Chamou-me a atenção ontem nas prateleiras, por 2 motivos: 1º encontrei imensas semelhanças nesta descrição entre a Cirurgia e a Arte Final. Sim, entre estas 2 coisas tão distintas há semelhanças, ambas são ciências exactas, mas ambas são imperfeitas, por não serem totalmente realizadas por máquinas. Em 2º lugar sabem que na minha outra vida foi neurocirurgiã, e que tenho esta paixoneta estranha por este mundo do cérebro que controla tudo no nosso corpo. Portanto, sem nunca ter ouvido falar nele, peguei no livro e comprei-o.

O título em português não diz muito, mas o título original Complications é mais esclarecedor.
O livro trata das confissões reais de um cirurgião sobre esta que ele chama de ciência imperfeita, exacta mas imperfeita e ao mesmo tempo 'a mais fascinante e intuitiva' das profissões.

Nele, Atul Gawande, conta-nos os casos difíceis de solucionar (ao estilo Doctor House), os seus tempos de interno (ao estilo Anatomia de Grey) e mais grave que tudo confessa os erros humanos que acontecem nas cirurgias. Penso que esta deve ter sido a parte mais dificil de escrever, quando se diz a toda a gente como nos esquecemos de um instrumento dentro de um corpo de um paciente, ou mais grave ainda um erro que possa ser fatal...

Felizmente na minha profissão os erros não têm consequências tão graves, embora ás vezes pareça, como aquela vez em que niguém apareceu escrito sem o segundo 'n' (aposto que nem repararam, não?). Felizmente, como dizia o outro: 'isto aqui são só anúncios'.

De qualquer modo aconselho a leitura, mas não àquelas pessoas que não conseguem ouvir descrições exaustivas sobre como colocar um catéter na aorta, inserindo uma agulha de 8cm pela clavícula do paciente, EH! EH!

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